Antropóloga mostra como a sala de aula reprova

“A Cultura da Repetência”, de Maria de Lourdes Sá Earp, traz “centro” e “periferia” em  retratos de desigualdade educacional  

Convite do lançamento dia 13, 17h

Convite do lançamento dia 13, 17h

A antropóloga Maria de Lourdes Sá Earp lança, no dia 13 de maio, às 17h, no canal do Youtube Cultura da repetência (https://cutt.ly/Gvr7XoW), o livro “A Cultura da Repetência” (Editora Appris).  É o resultado da pesquisa em escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro, para sua tese de doutorado. Durante o trabalho de campo, a autora construiu uma etnografia da vida escolar ao penetrar no ambiente de aprendizado observando rituais como salas de aula, conselhos de classe, sala de professores, reunião de pais, refeitório e festas.

A pesquisa revela como a cultura da repetência se reproduz na estrutura das salas de aula, que a autora descreve usando a metáfora “centro-periferia”. O estudo mostra que a sala de aula não é para todos. Os professores ensinam e dão mais atenção aos alunos que veem como “centro” e deixam os outros na “periferia” da aula, aqueles que consideram menos capazes de aprender.

Os professores também reproduzem esses retratos da desigualdade educacional e o conceito “centro-periferia” nos conselhos de classe, transferindo a culpa da falta de aprendizado para  os alunos e suas famílias. Eles usam  a repetência como instrumento para classificar os alunos entre os bons e os ruins: aqueles “que não têm jeito mesmo” ou “não estão aprendendo porque não querem”.

A aprovação automática, por sua vez, aparece nos depoimentos de professores como a grande vilã da educação pública e, segundo as representações docentes, é praticada em todos os níveis do ensino fundamental. “A aprovação automática retira dos professores o mais forte recurso que conhecem para ensinar”, completa a autora, que também é professora.

Segundo Maria de Lourdes, é importante ressaltar, no entanto, que o estudo não visa apontar os professores como culpados do insucesso escolar. “O objetivo do livro é trazer reflexões sobre a cultura da repetência e fornecer aos professores acesso aos mecanismos dessas interações escolares no sentido de ajudá-los a modificar suas práticas”, diz a antropóloga.

O livro traz muitas histórias de alunos e professores que, por meio de crenças, concepções e valores, descrevem o que pensam da escola, do ensino e da educação. A autora apresenta aspectos da cultura da repetência em contundentes relatos de alunos e professores em suas maneiras de sentir, de pensar, de julgar e de agir na vida escolar.

“A Cultura da Repetência” é ferramenta valiosa para debate em espaços de formação de professores, pela abrangência do estudo e pelos temas apresentados ao longo dos seis capítulos. Com prefácio de Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa – e professor associado da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), o livro é voltado não só para profissionais de educação, como também para pais, familiares, alunos e público mais amplo em geral.

Sobre a autora: Formada em Matemática pela UFRJ, Maria de Lourdes (Malu) dedicou parte de sua vida profissional a ensinar estudantes de escolas públicas e particulares com dificuldades nesta disciplina. Fez mestrado em Educação na PUC do Rio de Janeiro e doutorado em Antropologia Cultural pelo IFCS/UFRJ. Trabalhou como professora de cursos de graduação e de pós-graduação em instituições públicas e privadas como Universidade Estácio de Sá (Unesa), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e na Fundação Cesgranrio, tendo como áreas de interesse a repetência, as desigualdades educacionais e a avaliação do ensino superior.

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