IA em alta: Conheça as vantagens e desvantagens de alguns aplicativos

Foto de Vojtech Okenka: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoa-segurando-um-mouse-apple-magic-mouse-392018/

Em tempos de ChatGPT, quem não aderir ao universo da IA tem tudo para ficar para atrás. A plataforma idealizada pela empresa OpenAI que conversa, escreve poemas, receitas e cria até mesmo programas de computador, tornou-se o aplicativo com crescimento mais rápido da história ao atingir 100 milhões de usuários ativos em janeiro, apenas dois meses após seu lançamento. Não à toa, já ganhou a fama de ser a mais nova revolução que escancarou com maestria o poder da inteligência artificial.

Antes mesmo do boom do GPT, não era raro acompanhar nas redes sociais mundo afora movimentos virais envolvendo aplicativos de IA. Mais recentemente, o app Lensa para geração de avatares virtuais por meio de fotos foi a sensação entre anônimos e famosos. O FaceApp também bombou há alguns anos com o filtro da velhice, da mudança de gênero, do jovem/bebê. Enfim, certamente, a próxima trend a estourar está logo ali.

Por isso, é sempre bom lembrar nesses casos e em outros que nem tudo será positivo. Afinal, o bônus e o ônus caminham normalmente juntos, formando os dois lados de uma mesma moeda. O que isso significa? Que todo o potencial da IA já está dando muito o que falar e fazer – para bem e para o mal.

Ao passo que a tecnologia surpreende, sobretudo com o impacto de otimizar tempo, tarefas e demandas em diferentes setores, nos negócios e na rotina das pessoas, ela também assusta. O mesmo app Lensa, por exemplo, dos avatares mágicos, lançava mão de um termo de uso que dizia: “Você nos concede uma licença perpétua, irrevogável, não exclusiva, isenta de royalties, mundial, totalmente paga, transferível e sublicenciável para usar, reproduzir, modificar, adaptar, traduzir, criar trabalhos derivados e transferir seu conteúdo ao usuário”.

Tantos verbos e concessões em uma mesma frase geraram intensas advertências de especialistas de segurança da informação, privacidade e proteção de dados. Assim, novamente, o perigo de dar consentimento sem ler e, muitas vezes, ainda pagar por isso, voltou à cena.

Mas, afinal, quais são os riscos reais?

A curiosidade e a empolgação com as novas tecnologias e tendências nas redes sociais motivam os usuários a aderir às ondas. No entanto, o pouco cuidado com os dados pessoais envolvidos no processo deveria preocupar muito mais.

Uso da imagem

Ao usar um aplicativo de inteligência artificial e aceitar seus termos de uso e a política de privacidade (sem ler), a pessoa está dando permissão para que a empresa que faz a gestão do aplicativo tenha o direito de usar sua imagem indefinidamente, e, pior, sem a necessidade de compensação ou notificação. Já imaginou o seu rosto em campanhas diversas na internet ou em meios impressos sem nenhuma autorização prévia, pagamento ou indenização?

Deepfake

Ceder fotos a apps de IA, sem, de fato, ler tudo o que está em jogo pode ser o mesmo que fornecer material para ser usado no treinamento de um algoritmo para gerar um deepfake. Isto é, criação de vídeos falsos, mas realistas, de pessoas fazendo coisas que elas nunca fizeram na vida real. A técnica já gerou desde conteúdos com celebridades até discursos fictícios de políticos influentes.

Fraudes com biometria

Outro aspecto tão alarmante quanto os demais é o potencial de acessos que uma imagem detalhada com IA pode conceder a quem a detém. A imagem de rostos bem-posicionados pode gerar biometria. Hoje em dia, essa tecnologia é amplamente utilizada para liberação de acessos em bancos, nos próprios smartphones, caixas eletrônicos, residências e locais de trabalho.

Fato é que, diante de todos os benefícios que a IA tem a oferecer, a interação entre o usuário e a tecnologia ainda causa dúvidas no imaginário coletivo. De qualquer forma, quem não ouviu a expressão: “Data is the new oil”, ou “Dados são o novo petróleo”, em português, é bom se atentar. Afinal, hoje em dia, já não é mais novidade a exploração indiscriminada de dados pessoais realizada por algumas empresas de tecnologia. Por isso, é fundamental que os usuários estejam informados sobre os riscos e as vantagens dos aplicativos de IA, para que possam utilizá-los de forma consciente e segura. Afinal, dados pessoais são cada vez mais valiosos, e é necessário protegê-los de forma responsável.

Sobre a Leapfone

Criada em 2021, a startup Leapfone é pioneira no conceito de Phone as a Service e na oferta de smartphones como novos por assinatura. Por meio de um pagamento mensal recorrente, o usuário tem acesso a aparelhos poderosos com direito à troca anual, seguro e assistência técnica. Dessa forma, o objetivo da empresa é democratizar e facilitar o acesso dos brasileiros a smartphones de ponta, transformando a realidade do mercado de telefonia no país. 

Dez comandos essenciais para turbinar a interatividade com o ChatGPT

Conseguir resultados com mais qualidade pode depender de ações simples

Foto: Reprodução

O ChatGPT, sistema de inteligência artificial da OpenAI, ostenta o título de ser a página mais visitada na categoria Computers Electronics and Technology no SimilarWeb, plataforma especializada em análises do ambiente virtual. O Brasil, neste cenário, não fica atrás, como demonstrado por um estudo realizado pela Semrush, portal de gerenciamento de visibilidade online. O país conquistou o quinto lugar em acessos ao ChatGPT, abocanhando 4.3% do tráfego global, e ficando atrás apenas dos Estados Unidos (19.5%), Alemanha (5.9%), França (5.7%) e Índia (4.7%).

Em meio a essa crescente procura por interações com a IA, a capacidade de aproveitar plenamente essa tecnologia se torna essencial. “Na minha experiência com o uso do ChatGPT, tenho percebido que alguns comandos são cruciais para otimizar a interação com essa ferramenta. Nesse sentido, compartilho aqui os dez que considero mais relevantes para estabelecer uma comunicação mais eficaz e produtiva”, diz Andréa Migliori, CEO da Workhub, HRtech de soluções para portais corporativos e pioneira no segmento a incorporar a IA.

1 – Comando de pergunta direta: a chave para informações precisas

Precisa de informações específicas? Faça perguntas diretas, claras e concisas. Isso permite que o ChatGPT compreenda sua intenção e forneça uma resposta precisa. Por exemplo, ao pesquisar a temperatura média em uma cidade durante o verão, uma pergunta como “Qual é a temperatura média em São Paulo no verão?” resultará em respostas mais relevantes e assertivas.

2 – Comando de solicitação de exemplo: aprendizado por demonstração

Nada como bons exemplos para clarificar um conceito ou tema complexo, não é mesmo? O ChatGPT tem a capacidade de fornecer vários exemplos práticos que esclarecem pontos de dúvida. No caso de uma discussão sobre algoritmos de classificação, basta usar esse comando para compreender melhor o assunto: “Pode me dar um exemplo de como funciona o algoritmo de classificação k-NN?”

3 – Comando de geração criativa: explorando novas ideias

Para estender ainda mais a capacidade do ChatGPT, utilize o comando de geração criativa. Se você estiver buscando soluções inovadoras para um problema ou precisa de ideias frescas para um projeto, simplesmente peça: “Gere algumas ideias criativas para melhorar a eficiência do meu projeto.”

4 – Comando de análise comparativa: tomada de decisões embasadas

É cada vez mais frequente nos deparamos com cenários complexos, nos quais uma decisão envolve muitas variantes. Nesses casos, o ChatGPT também pode ajudar fornecendo uma análise aprofundada. Peça para ele comparar prós e contras de diferentes opções, por exemplo: “Analise as vantagens e desvantagens de implementar a estratégia A em comparação com a estratégia B.”

5 – Comando de exploração de cenários futuros: antecipação estratégica

Esse caminho ajuda, e muito, a explorar possíveis desdobramentos futuros. Se estiver planejando um novo produto, pergunte: “Como diferentes cenários econômicos podem afetar o lançamento do nosso produto nos próximos anos?”

6 – Comando de resumo detalhado: síntese de conteúdo

Sabe aqueles artigos ou relatórios longos, que exigiram horas e horas das quais você não dispõe? Esse comando é perfeito para quando você precisa processar rapidamente informações extensas. Encaminhe dessa forma: “Faça um resumo detalhado dos principais pontos deste relatório.”

7 – Comando de exploração de citações e referências: aprofundando pesquisas

Perfeito quando a intenção é ir além do óbvio e incluir citações e referências relevantes. Solicite ao sistema para encontrar citações de especialistas sobre um tópico específico, como: “Encontre citações de especialistas sobre os impactos da inteligência artificial na indústria automotiva.”

8 – Comando de esclarecimento de dúvidas: refinando compreensão

Quando encontrar uma resposta que precisa de mais clareza, utilize o comando de esclarecimento de dúvidas. Peça ao ChatGPT para explicar um ponto específico em maior detalhe, como: “Poderia me explicar mais sobre o processo de aprendizado supervisionado?”

9 – Comando de desenvolvimento de plano de ação: direcionamento estratégico

Outra funcionalidade na qual o ChatGPT pode facilitar muito a vida profissional e pessoal, elencando medidas práticas a serem tomadas para alcançar um objetivo. Para que o sistema lhe oriente sobre como melhorar sua produtividade, a questão deve ser: “Elabore um plano de ação para otimizar minha rotina diária.”

10 – Comando de exercícios práticos: aprendizado ativo

Aqui a ideia é aprofundar o entendimento em determinado assunto, recorrendo ao  ChatGPT em busca de exercícios práticos. Se você estiver estudando matemática, por exemplo, solicite: “Crie um exercício que ilustre a aplicação de derivadas em problemas do mundo real.”

A especialista frisa que a efetividade na interação com o ChatGPT melhora na medida do aprendizado realizado tanto pela inteligência artificial quanto pelo usuário. “Obviamente não pretendemos esgotar aqui as inúmeras possibilidades oferecidas por esse relacionamento, mas mapear alguns comandos que potencializam essa dinâmica. Com as estratégias acima, você terá repertório para extrair muito mais valor do ChatGPT, alavancando suas interações com a IA e alcançando  vantagem competitiva em um mundo em constante evolução tecnológica”, afirma a executiva. 

Chat GPT e IA já são ameaças à cibersegurança de empresas

Inteligência Artificial será ocasionadora de uma série de novos ataques. Por outro lado, companhias devem usar a própria IA para aprimorar segurança cibernética.

Chat GPT e IA já são ameaças à cibersegurança

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Em 29 de março deste ano, mais de mil pesquisadores, especialistas e executivos do setor de tecnologia, entre eles Elon Musk, CEO da Tesla, e Steve Wozniak, cofundador da Apple, pediram em carta aberta uma pausa de seis meses no desenvolvimento das novas ferramentas de inteligência artificial (IA), chamando a situação atual de “perigosa” corrida armamentista. O contexto apresentado pelas mentes mais brilhantes da tecnologia expõe uma dicotomia em torno de um dos temas mais falados no momento: se por um lado é comemorado que a IA trará benefícios claros para o desenvolvimento da economia e sociedade, por outro, é inevitável que ela tem o potencial de colocar em xeque as bases mais fundamentais desses sistemas. 

Para o Security Design Lab (SDL), rede global de pesquisa e desenvolvimento de cibersegurança com operação na América do Sul e Europa, a Inteligência Artificial e a Segurança Cibernética estão trilhando caminhos da integração e a convivência entre ambas será inevitável. Um exemplo é a Microsoft, parceira da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT: enquanto anunciou a injeção de bilhões de dólares na evolução ferramenta, por outro lado, também dobrará o investimento em pesquisa e desenvolvimento em segurança cibernética, para cifras na casa de US$ 20 bilhões. 

Quais os riscos que a Inteligência Artificial poderá trazer para a segurança das empresas?  

Um dos maiores desafios são os hackers usarem a Inteligência Artificial para desenvolver ameaças cibernéticas mais sofisticadas, como e-mails de phishing realistas, implantar malwares ou criar vídeos deepfake convincentes. Em recente evento da Dell em Las Vegas, um dos maiores golpistas da história dos Estados Unidos, Frank Abagnale Jr, que teve a sua vida retratada no filme “Prenda-me se for capaz”, foi bastante claro: “O que eu fiz há 40 anos, hoje está muito mais fácil de fazer por conta das tecnologias existentes. Não apenas do ponto de vista de tecnologia, mas especialmente, das pessoas. A engenharia social é uma realidade e não vai mudar. Os cibercriminosos vão usar a Inteligência Artificial. Ela será do mal”, apontou o especialista, que se tornou consultor do FBI e palestrante sobre segurança da informação. 

“O ChatGPT, por exemplo, poderia ser usado, facilmente, por um hacker para gerar uma mensagem de spear phishing personalizada com base nos materiais de marketing de uma empresa e em e-mails comuns do dia a dia. Ele consegue enganar as pessoas que foram bem treinadas em reconhecimento de mensagens fraudulentas, porque não se parecerá com as mensagens que foram treinadas para detectar”, alerta Alexandre Vasconcelos, diretor para a América Latina do Security Design Lab. 

Christiano Sobral, sócio-diretor e especialista em direito digital no Urbano Vitalino Advogados, diz que experts em cibersegurança descreveram, recentemente, o potencial perigoso do ChatGPT e sua capacidade de criar um malware polimórfico que é quase impossível de identificar usando detecção e resposta de endpoint (EDR). “EDR é um tipo de técnica de segurança cibernética que pode ser implantada para capturar software malicioso. No entanto, os especialistas sugerem que esse protocolo tradicional não é páreo para o dano potencial que o ChatGPT pode criar. O código que pode sofrer mutações – é aqui que entra o termo polimórfico – por ser muito mais difícil de detectar. A maioria dos modelos de aprendizado de idiomas, como o ChatGPT, são projetados com filtros para evitar a geração de conteúdo impróprio, conforme considerado por seus criadores. Isso pode variar de tópicos específicos a, neste caso, código malicioso. No entanto, não demorou muito para que os usuários encontrassem maneiras de burlar esses filtros. É essa tática que torna o ChatGPT particularmente vulnerável a indivíduos que procuram criar scripts nocivos”, explica. 

Como a Inteligência Artificial poderá auxiliar na evolução de ferramentas de cibersegurança?  

Se a capacidade de identificar ameaças cibernéticas tornou-se e será cada vez mais difícil, quando integrados a algoritmos de aprendizado que utilizam Inteligência Artificial, os sistemas de segurança poderão trazer vantagens significativas para a segurança cibernética. “Por exemplo, identificar as variantes de um malware pode ser um desafio, especialmente quando enormes volumes de código o mascaram. No entanto, lidar com essa ameaça cibernética será mais fácil, quando as soluções de segurança utilizarem mecanismos de Inteligência Artificial, que incluam bancos de dados de malwares existentes e a capacidade de detectar padrões para descobrir novos códigos maliciosos”, aponta Cristiano Iop, fundador da Sikur, empresa fabricante de soluções de cibersegurança. 

Com a utilização da Inteligência Artificial, o executivo defende que os sistemas de segurança cibernética terão capacidade de reconhecer padrões, o que significa que esses sistemas podem detectar desvios de normas, respondendo adequadamente às ameaças nos ecossistemas de TI (Tecnologia da Informação), TO (Tecnologia Operacional) e SCI (Sistema de Controle Industrial).

O caminho da regulação no Brasil e no mundo 

No Brasil o Senado está analisando um projeto de lei para regulamentar os sistemas de inteligência artificial. Ele é baseado no trabalho de uma comissão de juristas que analisou, ao longo de 2022, outras propostas relacionadas ao assunto, além da legislação já existente em outros países. O texto cria regras para que os sistemas de inteligência sejam disponibilizados no Brasil, estabelecendo os direitos das pessoas afetadas por seu funcionamento e define critérios para o uso pelo poder público. Violações das regras previstas poderão acarretar multas de até R$ 50 milhões por infração ou até 2% do faturamento, no caso de empresas. Outras punições possíveis são a proibição de participar dos ambientes regulatórios experimentais e a suspensão temporária ou definitiva do sistema.

No exterior, o Reino Unido – terceiro lugar no mundo em publicações de IA, publicou um White Paper sobre sua abordagem à regulamentação. Segundo Marcello Junqueira, sócio do Urbano Vitalino Advogados e especialista em direito digital, o primeiro-ministro Rishi Sunak anunciou que o país sediará uma cúpula global sobre a regulamentação da Inteligência Artificial entre setembro e dezembro de 2023. 

“O material elaborado no Reino Unido propõe um conjunto de princípios abrangentes de regulamentação que contempla segurança, proteção e robustez, transparência e explicabilidade, justiça, responsabilidade e governança e contestabilidade e reparação. O conteúdo conta com um anexo sobre as intenções do país de promover o desenvolvimento de padrões internacionais de IA e aponta para os fóruns existentes para engajamento multilateral sobre o tema, como o Grupo de Trabalho de Governança da Inteligência Artificial da OCDE, G7 e Comitê do Conselho da Europa sobre Inteligência Artificial – o último dos quais está atualmente desenvolvendo um tratado de direitos humanos”, explica Junqueira. 

Sobre o Security Design Lab 

Security Design Lab (SDL) é uma grande rede de colaboração fundada em 2021 para gerar discussões, experiências e disseminação de conhecimentos para auxiliar as empresas e governos a melhorar os seus níveis de segurança. Tem por objetivo fomentar debates e promover a troca de experiências para difundir conhecimentos sobre melhores práticas, políticas, padrões e regulações em cibersegurança. Junto com a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), o SDL começou, em maio, a coleta de dados para a primeira pesquisa sobre cibersegurança entre as empresas de capital aberto do país. O objetivo é entender a maturidade de cada uma e apoiar as áreas técnicas e de compliance para disseminar a importância do tema entre os C-levels, Conselhos de Administração e Acionistas. O resultado poderá ajudar no desenvolvimento de políticas públicas em prol de mais segurança para as empresas e os investidores.