Importância do ChatGPT no mercado de trabalho pode ter o peso do “pacote Office”

Além de transformar processos e execução de tarefas, novas tecnologias abrirão caminho para a ascensão de profissões especializadas em chatbots.

Importância do ChatGPT

Imagem de CreativeCanvas por Pixabay

Entendidas como as maiores inovações tecnológicas desde a criação da própria internet, soluções como o ChatGPT já transformam as relações de trabalho. Um recente estudo desenvolvido pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriu que cerca de 80% da mão-de-obra daquele País poderá ter, pelo menos, 10% das suas tarefas afetadas por sistemas de GPT. A mesma pesquisa foi além e identificou que cerca de 19% dos trabalhadores serão afetados em pelo menos 50% do seu trabalho, em razão da nova Inteligência Artificial.

Ainda é cedo para mensurar o real impacto que essas ferramentas terão no futuro e o quão imprescindíveis elas serão para o mercado, mas é possível apontar mudanças em todo o trajeto profissional, desde a qualificação até a execução das tarefas.

“Os processos de formação para uso dessa tecnologia já são um fator preponderante para atender às novas demandas de toda a cadeia produtiva. Acredito que ela ainda terá a mesma importância que ferramentas como Word e Excel têm hoje para qualquer empresa, pois com a revolução nas profissões, será necessário cada vez mais preparar os profissionais para as grandes modificações dentro da nova estrutura gerada para o mercado de trabalho”, afirma Álvaro Manzione, sócio fundador da Beedoo, maior plataforma da América Latina para comunicação, capacitação, e engajamento de equipes de atendimento, de campo e da indústria, que trabalha com IA para disponibilizar aos seus parceiros dados estratégicos e insights como indicadores de desempenho.

Francisco Borges, consultor da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) em Gestão e Políticas Públicas voltadas ao Ensino acrescenta que, neste provável cenário, além de transformar processos e execução de tarefas, a inteligência artificial abrirá caminho para o surgimento de novos postos de trabalho.

“É importante que profissionais e empresas percebam esta nova realidade de mercado, onde dados transformados em informações são insumos essenciais para qualquer segmento. É como a inteligência de negócios funciona, auxiliando na tomada de decisões. Por que não pensarmos, portanto, na ascensão de profissões como desenvolvedores, gerentes, técnicos, consultores e analistas específicos de ChatBot? O certo é que estes precisarão de treinamentos focados para a formação de mão-de-obra especializada”, diz.

Por outro lado, ações de regulamentação de inteligências artificiais, em todos os âmbitos, podem desacelerar algumas dessas mudanças. No Brasil, há projetos de lei no Senado e na Câmara dos Deputados em tramitação para tratar dos princípios, direitos e deveres para uso da IA no País.

Temas como limites para atuação do poder público por meio das IAs, uso de câmeras para identificação dos membros do corpo social, avaliações individuais de riscos, fiscalização, segurança e responsabilidade, tráfego, abastecimento de água, eletricidade, educação, bem como as autoridades competentes que farão o controle dos sistemas, estão entre os que serão tratados nessas propostas.

Chat GPT e IA já são ameaças à cibersegurança de empresas

Inteligência Artificial será ocasionadora de uma série de novos ataques. Por outro lado, companhias devem usar a própria IA para aprimorar segurança cibernética.

Chat GPT e IA já são ameaças à cibersegurança

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Em 29 de março deste ano, mais de mil pesquisadores, especialistas e executivos do setor de tecnologia, entre eles Elon Musk, CEO da Tesla, e Steve Wozniak, cofundador da Apple, pediram em carta aberta uma pausa de seis meses no desenvolvimento das novas ferramentas de inteligência artificial (IA), chamando a situação atual de “perigosa” corrida armamentista. O contexto apresentado pelas mentes mais brilhantes da tecnologia expõe uma dicotomia em torno de um dos temas mais falados no momento: se por um lado é comemorado que a IA trará benefícios claros para o desenvolvimento da economia e sociedade, por outro, é inevitável que ela tem o potencial de colocar em xeque as bases mais fundamentais desses sistemas. 

Para o Security Design Lab (SDL), rede global de pesquisa e desenvolvimento de cibersegurança com operação na América do Sul e Europa, a Inteligência Artificial e a Segurança Cibernética estão trilhando caminhos da integração e a convivência entre ambas será inevitável. Um exemplo é a Microsoft, parceira da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT: enquanto anunciou a injeção de bilhões de dólares na evolução ferramenta, por outro lado, também dobrará o investimento em pesquisa e desenvolvimento em segurança cibernética, para cifras na casa de US$ 20 bilhões. 

Quais os riscos que a Inteligência Artificial poderá trazer para a segurança das empresas?  

Um dos maiores desafios são os hackers usarem a Inteligência Artificial para desenvolver ameaças cibernéticas mais sofisticadas, como e-mails de phishing realistas, implantar malwares ou criar vídeos deepfake convincentes. Em recente evento da Dell em Las Vegas, um dos maiores golpistas da história dos Estados Unidos, Frank Abagnale Jr, que teve a sua vida retratada no filme “Prenda-me se for capaz”, foi bastante claro: “O que eu fiz há 40 anos, hoje está muito mais fácil de fazer por conta das tecnologias existentes. Não apenas do ponto de vista de tecnologia, mas especialmente, das pessoas. A engenharia social é uma realidade e não vai mudar. Os cibercriminosos vão usar a Inteligência Artificial. Ela será do mal”, apontou o especialista, que se tornou consultor do FBI e palestrante sobre segurança da informação. 

“O ChatGPT, por exemplo, poderia ser usado, facilmente, por um hacker para gerar uma mensagem de spear phishing personalizada com base nos materiais de marketing de uma empresa e em e-mails comuns do dia a dia. Ele consegue enganar as pessoas que foram bem treinadas em reconhecimento de mensagens fraudulentas, porque não se parecerá com as mensagens que foram treinadas para detectar”, alerta Alexandre Vasconcelos, diretor para a América Latina do Security Design Lab. 

Christiano Sobral, sócio-diretor e especialista em direito digital no Urbano Vitalino Advogados, diz que experts em cibersegurança descreveram, recentemente, o potencial perigoso do ChatGPT e sua capacidade de criar um malware polimórfico que é quase impossível de identificar usando detecção e resposta de endpoint (EDR). “EDR é um tipo de técnica de segurança cibernética que pode ser implantada para capturar software malicioso. No entanto, os especialistas sugerem que esse protocolo tradicional não é páreo para o dano potencial que o ChatGPT pode criar. O código que pode sofrer mutações – é aqui que entra o termo polimórfico – por ser muito mais difícil de detectar. A maioria dos modelos de aprendizado de idiomas, como o ChatGPT, são projetados com filtros para evitar a geração de conteúdo impróprio, conforme considerado por seus criadores. Isso pode variar de tópicos específicos a, neste caso, código malicioso. No entanto, não demorou muito para que os usuários encontrassem maneiras de burlar esses filtros. É essa tática que torna o ChatGPT particularmente vulnerável a indivíduos que procuram criar scripts nocivos”, explica. 

Como a Inteligência Artificial poderá auxiliar na evolução de ferramentas de cibersegurança?  

Se a capacidade de identificar ameaças cibernéticas tornou-se e será cada vez mais difícil, quando integrados a algoritmos de aprendizado que utilizam Inteligência Artificial, os sistemas de segurança poderão trazer vantagens significativas para a segurança cibernética. “Por exemplo, identificar as variantes de um malware pode ser um desafio, especialmente quando enormes volumes de código o mascaram. No entanto, lidar com essa ameaça cibernética será mais fácil, quando as soluções de segurança utilizarem mecanismos de Inteligência Artificial, que incluam bancos de dados de malwares existentes e a capacidade de detectar padrões para descobrir novos códigos maliciosos”, aponta Cristiano Iop, fundador da Sikur, empresa fabricante de soluções de cibersegurança. 

Com a utilização da Inteligência Artificial, o executivo defende que os sistemas de segurança cibernética terão capacidade de reconhecer padrões, o que significa que esses sistemas podem detectar desvios de normas, respondendo adequadamente às ameaças nos ecossistemas de TI (Tecnologia da Informação), TO (Tecnologia Operacional) e SCI (Sistema de Controle Industrial).

O caminho da regulação no Brasil e no mundo 

No Brasil o Senado está analisando um projeto de lei para regulamentar os sistemas de inteligência artificial. Ele é baseado no trabalho de uma comissão de juristas que analisou, ao longo de 2022, outras propostas relacionadas ao assunto, além da legislação já existente em outros países. O texto cria regras para que os sistemas de inteligência sejam disponibilizados no Brasil, estabelecendo os direitos das pessoas afetadas por seu funcionamento e define critérios para o uso pelo poder público. Violações das regras previstas poderão acarretar multas de até R$ 50 milhões por infração ou até 2% do faturamento, no caso de empresas. Outras punições possíveis são a proibição de participar dos ambientes regulatórios experimentais e a suspensão temporária ou definitiva do sistema.

No exterior, o Reino Unido – terceiro lugar no mundo em publicações de IA, publicou um White Paper sobre sua abordagem à regulamentação. Segundo Marcello Junqueira, sócio do Urbano Vitalino Advogados e especialista em direito digital, o primeiro-ministro Rishi Sunak anunciou que o país sediará uma cúpula global sobre a regulamentação da Inteligência Artificial entre setembro e dezembro de 2023. 

“O material elaborado no Reino Unido propõe um conjunto de princípios abrangentes de regulamentação que contempla segurança, proteção e robustez, transparência e explicabilidade, justiça, responsabilidade e governança e contestabilidade e reparação. O conteúdo conta com um anexo sobre as intenções do país de promover o desenvolvimento de padrões internacionais de IA e aponta para os fóruns existentes para engajamento multilateral sobre o tema, como o Grupo de Trabalho de Governança da Inteligência Artificial da OCDE, G7 e Comitê do Conselho da Europa sobre Inteligência Artificial – o último dos quais está atualmente desenvolvendo um tratado de direitos humanos”, explica Junqueira. 

Sobre o Security Design Lab 

Security Design Lab (SDL) é uma grande rede de colaboração fundada em 2021 para gerar discussões, experiências e disseminação de conhecimentos para auxiliar as empresas e governos a melhorar os seus níveis de segurança. Tem por objetivo fomentar debates e promover a troca de experiências para difundir conhecimentos sobre melhores práticas, políticas, padrões e regulações em cibersegurança. Junto com a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), o SDL começou, em maio, a coleta de dados para a primeira pesquisa sobre cibersegurança entre as empresas de capital aberto do país. O objetivo é entender a maturidade de cada uma e apoiar as áreas técnicas e de compliance para disseminar a importância do tema entre os C-levels, Conselhos de Administração e Acionistas. O resultado poderá ajudar no desenvolvimento de políticas públicas em prol de mais segurança para as empresas e os investidores. 

Da IA Generativa a especialização de quem atua com tecnologia: 3 tendências para o mercado e o que esperar para os próximos meses

Uma pesquisa recente realizada pela empresa IBM revelou que 78% dos líderes empresariais brasileiros têm planos de investir em tecnologia nos próximos 12 meses. O levantamento mostrou ainda que essa porcentagem é maior em comparação com outros países, como Estados Unidos, Japão e Alemanha. Entre os principais temas que têm pautado as conversas sobre esse mercado estão Inteligência Artificial e o impacto nas profissões com o uso de tecnologias capazes de aprender padrões complexos de comportamento. 

Heitor Hákime, CEO da Codebit – empresa especialista em tecnologia de código e cloud computing sob medida que atua no setor há mais de 10 anos – analisa três tendências para o mercado e o que esperar para os próximos meses:

Tendência 1: Inteligência Artificial Generativa

Com o atual crescimento do tema no setor de tecnologia, se enxerga uma forte tendência sobre a pauta de Inteligência Artificial Generativa – conjuntos de algoritmos capazes de aprender padrões mais complexos de comportamento a partir de uma base de dados. Pautando diversas discussões, o assunto deve continuar em alta neste ano, desde a produção de chips computacionais focados nesse tipo de processamento, até a disponibilização e massificação de serviços utilizando esse conceito.

Além de discussões sobre seu uso em diferentes esferas, a IA Generativa oferece oportunidades, já que existe um grande campo a ser explorado com a disponibilização de ferramentas corporativas similares ao Chat GPT, que aprendem uma base de conhecimento específica e conseguem realizar diversas ações. Isso indica que profissionais que se especializarem no tema tendem a se destacar frente à novidade.

Tendência 2: IA para centrais de atendimento em canais digitais

Empresas também estão aproveitando a oportunidade em diferentes frentes de atendimento para utilizar a inteligência como aliada e se destacarem, sendo que uma das aplicações ocorre com as vendas por canais digitais, com resposta de dúvidas de colaboradores, ou até mesmo para apoiar de forma mais estruturada os call centers de empresas, dentre outras ações.

A montagem de centrais de atendimento 24 horas sempre foi um desafio para as empresas, pois requer times treinados e capacitados a responder dúvidas ou até mesmo realizar vendas em um ambiente com alta rotatividade, o que não é uma tarefa fácil.

O avanço das tecnologias de IA possibilita aos algoritmos aprenderem regras e realizarem tarefas de forma cada vez mais eficiente. Isso inclui entender dúvidas de clientes ou consumidores, submetê-las à uma base de conhecimento ou restrições contratuais e fornecer as melhores possibilidades de solução dentro do contexto apresentado. 

Neste aspecto, as vendas sempre foram um grande motor para impulsionar investimentos em tecnologia, e não é diferente com a inteligência artificial. Há um movimento de mercado para a troca do processo de aquisição única de um produto, pela opção de um serviço contínuo de assinatura. Inicialmente,  ocorreu com serviços de tecnologia ou streaming, mas agora nota-se uma tendência em assinaturas de veículos, por exemplo, ou outros ativos. Como a venda contínua pressupõe um atendimento contínuo para mantê-la, as centrais de atendimento digitais nunca foram tão importantes.

Por meio de algoritmos avançados de IA, esse atendimento vem sendo feito cada vez mais por plataformas automatizadas capazes de aprender uma série de regras e termos de uso, entender dúvidas ou solicitações de clientes ou consumidores e oferecer a melhor solução para determinado contexto. Algo que muitas vezes demandaria um profissional mais experiente para que fosse sugerido e também realizado.

Tendência 3: estabilidade nas contratações e profissionais mais preparados para trabalhar com tecnologia

Quando especialistas analisam o mercado, é esperada uma estabilidade após um momento inflacionado na pandemia, onde muitas empresas contrataram desenfreadamente inserindo em seus times centenas ou milhares de profissionais. “Vemos agora diversos movimentos de ajuste com layoffs e desligamentos. Creio que nesse segundo semestre teremos um momento de maior estabilidade com redução de desligamentos, porém baixo apetite para novas contratações” afirma Heitor Hákime, CEO da Codebit.

.Nos próximos anos o mercado deverá enfrentar um grande desafio: passar por um momento de aumento massivo de profissionais. Sempre entendido como um mercado promissor, atualmente notam-se muitos profissionais juniores ou pessoas em transição de carreira com pouca ou nenhuma experiência tentando vagas de trabalho ou estágio. “Com o movimento de ajuste pós-pandemia, creio que a absorção do mercado para esses profissionais será um desafio, pois em geral ele necessita de velocidade, e profissionais em início de carreira demandam mais treinamento e naturalmente menor produtividade”, destaca Heitor.

Sendo assim, os profissionais de tecnologia devem esperar um aumento na quantidade de pessoas buscando vagas de nível iniciante e uma estabilização das vagas atuais. A adaptação para novas ferramentas de desenvolvimento que permitem uma maior agilidade e velocidade de entrega é importante, pois o modelo de desenvolvimento está mudando rápido e é fundamental acompanhar essa onda para não ficar defasado.

Sobre a CodeBit

A CodeBit  é uma empresa especialista em tecnologia de código e cloud computing sob medida, com foco no terceiro setor e startups, fornece desenvolvimento de soluções em linguagem de programação (código) e Nuvem. Fundada em 2011 no interior de São Paulo, em Franca, nasceu de uma parceria sem acelerações ou programas de startups, e hoje conta com mais de 50 clientes e diversos cases de sucesso, como Médico Sem Fronteiras, Fundação Itaú, Instituto Natura, Instituto Ayrton Senna e Fundação Telefônica Vivo. 

Como principal parceiro da Amazon no Brasil em educação, e um dos dois mais importante parceiro de NPOs – Programa Nonprofit Credit – da AWS atualmente, a CodeBit se especializou na criação de portais e plataformas web, sistemas complexos de integração, aplicativos Android e iOS, além de hardwares e dispositivos eletrônicos. Utilizando a tecnologia como principal meio de transformar o mundo, atua no terceiro setor para viabilizar um conjunto de iniciativas com projetos de cunho social para levar mais educação, saúde e conhecimento para todos os setores da sociedade, democratizando a tecnologia. A CodeBit também oferece soluções para startups, fundações empresariais, universidades e outras iniciativas de projetos com cunho social. Até o final de 2023, a empresa projeta um crescimento de 25%.