10 aplicativos que todo freelancer remoto precisa ter

Foto: Reprodução

Da organização de tarefas ao controle financeiro, especialista traz ferramentas essenciais para aprimorar habilidade no trabalho à distância

Ser freelancer oferece uma liberdade única, como trabalhar em qualquer lugar com uma conexão à internet e ser capaz de definir o próprio horário. Essa autonomia permite um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, adaptando a rotina às necessidades individuais. No entanto, a independência também traz desafios e responsabilidades, como a gestão do próprio tempo e a busca constante por novas oportunidades de trabalho. Por isso, buscar ajuda de ferramentas de gestão tem sido crucial para a organização. 

“O sucesso profissional está muito ligado à eficiência em sistematizar as demandas. Usar aplicativos especializados potencializa essa capacidade. Eles oferecem um ambiente digital que otimiza o gerenciamento de tarefas e informações, tornando-as mais práticas e eficientes. Com elas, é possível centralizar dados, criar listas de tarefas, entre outros recursos”, comenta Samyra Ramos, especialista de marketing da Higlobe, fintech de pagamentos para freelancers e contratados brasileiros que trabalham remotamente para empresas nos EUA.

Ao integrar soluções tecnológicas na rotina de trabalho, os freelancers podem ganhar uma vantagem significativa em termos de eficiência e produtividade. A executiva traz algumas dicas de aplicativos e ferramentas para ajudar nos aspectos financeiro, criativo e de organização. Confira:

1- Trello

Trello: Alles organisieren!
Trello: Alles organisieren!
Developer: Atlassian
Price: Free

O Trello é uma ferramenta de gerenciamento de projetos, que facilita a organização de atividades por meio de quadros visuais. Sua principal vantagem reside na capacidade de fornecer uma visão clara e intuitiva do progresso das atividades. Pela divisão das tarefas em listas e cartões, os usuários podem acompanhar o status de cada etapa do projeto, estabelecendo prazos e atribuindo responsabilidades.

2 – Google Drive

Google Drive
Google Drive
Developer: Google LLC
Price: Free

Essa famosa plataforma de armazenamento em nuvem oferece aos freelancers a capacidade de centralizar todos os seus arquivos em um único local, acessível pela internet. Isso simplifica a organização e o acesso aos documentos, pois elimina a necessidade de dispositivos físicos para armazenamento. Além disso, o Google Drive facilita o compartilhamento de arquivos com clientes e colaboradores, permitindo que várias pessoas trabalhem e colaborem em documentos simultaneamente.

3 – MindMeister 

MindMeister – Mindmapping
MindMeister – Mindmapping
Developer: MeisterLabs
Price: Free

Construído especialmente para criar mapeamentos mentais, o MindMeister facilita a visualização e o desenvolvimento de ideias. Com uma interface intuitiva e amigável, permite aos usuários criar mapas mentais de maneira colaborativa e organizada. Ele oferece recursos como a adição de texto, imagens e links, tornando possível representar visualmente informações complexas com clareza, concisão e criatividade.

4 – Zoom

Zoom Workplace
Zoom Workplace
Developer: zoom.com
Price: Free+

O Zoom é uma plataforma de videoconferência amplamente utilizada. Ela é especialmente útil para interações virtuais com clientes e colegas de equipe quando a presença física não é possível. Através do Zoom, é possível realizar chamadas de vídeo e áudio, compartilhar telas, apresentações e documentos, promovendo uma comunicação dinâmica.

5 – Notion

Notion: notas, tarefas e IA
Notion: notas, tarefas e IA

Muito versátil para organização e produtividade, o Notion é considerado um workspace personalizável. Ele traz recursos de anotações, organização financeira, sistematização de projetos, calendários, listas, entre inúmeras outras possibilidades. Cada um pode usar o Notion do seu jeito, e esse caráter adaptável faz dele um dos grandes amigos dos freelancers e dos trabalhos colaborativos.

6 – Grammarly

Ferramenta indispensável para freelancers, o Grammarly se dedica à redação e edição em inglês. Esta plataforma tem a capacidade de corrigir erros de gramática e ortografia, além de oferecer sugestões de estilo, garantindo assim a produção de textos impecáveis.

7 – Harvest

O Harvest foi projetado para auxiliar freelancers no gerenciamento eficiente do tempo e do faturamento. O aplicativo tem como principal função fazer o rastreamento preciso das horas trabalhadas. Além disso, oferece a capacidade de criar faturas de um jeito profissional e organizado.

8 – Figma

Figma: view. comment. mirror.
Figma: view. comment. mirror.
Developer: Figma Inc.
Price: Free

Designers gráficos e de UI/UX vão encontrar no Figma um bom aliado. Voltado ao design colaborativo, ele tem como principal vantagem a capacidade de permitir o compartilhamento da edição dos produtos com os clientes. Isso significa que várias pessoas podem colaborar em um projeto ao mesmo tempo, sem a necessidade de alternar entre diferentes versões do arquivo.

9 – Hootsuite 

Hootsuite
Hootsuite
Developer: Hootsuite
Price: Free

Útil para freelancers que atuam no campo das mídias sociais, a ferramenta Hootsuite possui uma série de funcionalidades para otimizar esse trabalho. Uma das principais vantagens é a capacidade de agendar postagens, o que significa que é possível preparar o conteúdo com antecedência e programar sua publicação nos horários mais estratégicos para a audiência.

10 – Mobills

Voltado para a gestão financeira, o Mobills ajuda os usuários a controlar seus gastos, estabelecer metas e controlar investimentos. Ao oferecer uma visão detalhada do orçamento pessoal, a plataforma permite uma administração mais eficaz do dinheiro e auxilia os usuários a alcançar seus objetivos.

Mudanças climáticas podem levar à perda de mais de 90% das comunidades de mamíferos da Caatinga

Imagem de DAVISON ALVES por Pixabay

André Julião | Agência FAPESP – O cenário de mudanças climáticas previsto para a Caatinga é catastrófico para a maioria das espécies de mamíferos terrestres que habitam a região.

Em estudo publicado nesta terça-feira (17/10) na revista Global Change Biology, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e das federais da Paraíba (UFPB) e de Minas Gerais (UFMG) preveem a perda de 91,6% das comunidades desses animais no bioma, com 87% das espécies perdendo hábitat ainda em 2060.

“Esse é o cenário otimista, em que a humanidade cumpre o Acordo de Paris, reduz as emissões de gases do efeito estufa e diminui o ritmo do aquecimento previsto para as próximas décadas”, explica Mário Ribeiro de Moura, pesquisador do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp apoiado pela FAPESP e coordenador do estudo.

A equipe de pesquisadores cruzou as mais recentes previsões de temperaturas futuras divulgadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), com bancos de dados de ocorrência de espécies de mamíferos na Caatinga.

Foram utilizados diferentes modelos estatísticos para capturar as tolerâncias fisiológicas das espécies ao clima atual. Esses modelos foram então explorados em futuros cenários do clima, trazendo resultados semelhantes entre si.

Até 2060, segundo o IPCC, as temperaturas médias devem subir em 2,7° C no norte da América do Sul, com aumento de 21 dias secos consecutivos na estação seca.

Uma vez que são necessários milhares ou milhões de anos para os animais se adaptarem a mudanças tão drásticas, os modelos apontam que apenas algumas poucas espécies encontrariam mais áreas climaticamente adequadas no futuro, entre elas tatus, cotias e veados, todas de grande porte. Entretanto, espécies de primatas, por exemplo, perderiam áreas adequadas.

Pequenos mamíferos, cujos indivíduos adultos têm menos de um quilo, serão os mais prejudicados. Esses animais constituem 54% dos mamíferos da Caatinga. No total, 12 espécies (12,8%) perderiam completamente os hábitats em 2060, no cenário mais otimista. Segundo o modelo mais pessimista, porém, seriam 28 espécies (30%) sem áreas adequadas até 2100.

Tatu galinha UFMG (<i>foto: Mário R. Moura/Unicamp</i>)

Rato-bico-de-lacre (Wiedomys pyrrhorhinos) faz parte dos 54% de pequenos mamíferos que serão mais prejudicadas com mudanças climáticas na Caatinga (foto: Sarah Mangia) 

Entre pequenos roedores e marsupiais, animais como a cuíca (Gracilinanus agilis), o rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis) e o rato-de-espinho (Trinomys albispinus) serão alguns dos mais prejudicados.

“Para 70% das comunidades de mamíferos, vai haver uma homogeneização, com poucas espécies generalistas substituindo as raras e especialistas. Isso traz a perda de funções ecológicas, como dispersão de sementes, e todo o ecossistema se torna menos resiliente”, conta Moura.

Em um trabalho anterior, Moura e outros coautores também utilizaram modelos estatísticos e bancos de dados para prever como as plantas da Caatinga seriam afetadas pelas mudanças climáticas.

Entre os resultados, também está prevista uma homogeneização de 40% das comunidades de plantas, com substituição de espécies arbóreas por gramíneas, por exemplo (leia mais em: agencia.fapesp.br/41840).

Zona de transição

Moura explica que, ainda que os mamíferos possam mudar comportamentos para escapar das maiores temperaturas, o período do dia com clima mais ameno poderá ser utilizado por muitas espécies ao mesmo tempo. Isso pode gerar maior competição por recursos, o que também pode afetar as chances de sobrevivência.

Em todos os cenários, a parte mais afetada do bioma será a leste. Nessa área ocorre a transição com a Mata Atlântica. A maior umidade trazida da costa tem como uma das consequências mais espécies vivendo ali.

“Essa também é a parte da Caatinga onde estão as maiores cidades da região. O desmatamento, a caça e outras práticas históricas contribuem para que a situação seja ainda mais complicada no local, o que pode amplificar os efeitos das mudanças climáticas”, avalia o pesquisador.

Por isso, os autores defendem que o sucesso de políticas socioambientais e de planejamento da conservação de longo prazo depende que previsões sobre a biodiversidade sejam consideradas.

Além do projeto coordenado por Moura, o trabalho recebeu financiamento por meio de um Auxílio à Pesquisa concedido a Mathias Mistretta Pires, professor do IB-Unicamp e coautor do artigo.

O artigo Climate change should drive mammal defaunation in tropical dry forests pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.16979.

Com a proximidade do verão, procura por academias cresce na Baixada Santista

Image by Moondance from Pixabay

Brasil é o segundo país com maior número de academias no mundo

Com a chegada da primavera e a proximidade do verão, a busca por academias tem aumentado na região. Vários fatores impulsionam essa tendência, incluindo a busca por qualidade de vida, bem-estar e um corpo saudável. Esses indicadores reforçam outros benefícios para aqueles que frequentam academias, como a melhora da imunidade e o aumento da expectativa de vida.

Na Baixada Santista, a abertura de diversas franquias ligadas à vida saudável comprova essa informação, um exemplo é a chegada do Studio Velocity, líder de bikes indoor, no Gonzaga, bairro no coração de Santos. O lançamento da unidade foi estrategicamente calculado para ser lançado próximo ao verão, pois em períodos quentes, é mais fácil efetivar uma rotina de atividades físicas.

E o Brasil tem potencial de crescimento no setor de atividades físicas, tendo em vista que o país é o segundo maior em números de academias no mundo, de acordo com International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA).

Apesar da abundância de academias, 52% dos brasileiros raramente ou nunca praticam atividades físicas, segundo pesquisa do Serviço Social da Indústria (Sesi). Embora o Brasil seja uma potência no mercado de academias, o desafio da inatividade física ainda persiste. Investimentos em campanhas de conscientização e na diversificação das opções de atividades são cruciais para atingir um maior percentual da população e melhorar a saúde do país.

Novo mapa traz o levantamento total da biomassa da Floresta Amazônica

Distribuição da biomassa situada acima do solo na Amazônia, em toneladas por hectare. Note-se a concentração relativamente mais baixa ao longo dos rios e riachos, cercados por vegetação ripária (imagem: Jean Pierre Ometto Et al./Scientific Data)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – No contexto da grave crise vivida pela Amazônia, uma boa notícia é a divulgação de um novo mapa de toda a biomassa da floresta situada acima do solo. Combinando varredura por lasers aerotransportados, imagens de satélite e inventários de campo geolocalizados, tudo isso integrado por tratamento computacional pesado com aprendizado de máquina, o mapa constitui o maior levantamento de biomassa em floresta tropical do mundo.

Resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram publicados no periódico Scientific Data, do grupo Nature.

“Nosso trabalho estimou a biomassa total da Floresta Amazônica, com base no mapeamento de 3,6 mil quilômetros quadrados por meio de transectos [faixas de terreno ao longo das quais são registradas e contabilizadas ocorrências de interesse] distribuídos por todas as categorias de vegetação da região. E mostrou uma concentração média de biomassa de 174 toneladas por hectare e um máximo de 518 toneladas por hectare”, conta Jean Ometto, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), integrante do comitê de coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e primeiro autor do artigo.

O levantamento principal foi feito mediante varredura por lasers aerotransportados. Em duas campanhas consecutivas (2016/2017 e 2017/2018) foram coletados dados de 901 transectos distribuídos por todas as partes da floresta. Cada transecto cobria uma área de, no mínimo, 375 hectares, em retângulo de 300 metros de largura por 12,5 quilômetros de comprimento. E foi sobrevoado a baixa altitude (600 metros) por avião Cessna equipado com sensor Lidar (do inglês Light Detection and Ranging). Emitindo, em média, oito pulsos de laser por metro quadrado, o equipamento permitiu determinar as alturas, diâmetros e densidades das árvores existentes no setor.

“Os números obtidos nos 901 transectos foram integrados com dados do radar Palsar [Phased Array L-band Synthetic Aperture Radar], transportado pelo satélite Alos [Advanced Land Observing Satellite]; com índices de vegetação fornecidos pelo satélite Modis [Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer]; e com informações de precipitação da missão TRMM [Tropical Rainfall Measuring Mission]. E os resultados foram extrapolados para a floresta toda. O tratamento matemático nos permitiu estimar, com bastante precisão, o conteúdo de biomassa da floresta não desmatada – da ordem de 75 bilhões de toneladas [lembrando que essa é a biomassa da floresta acima do solo, não considerando as raízes]”, afirma o pesquisador.

Como a Amazônia passou por um intenso processo de desmatamento no quadriênio 2019-2022, o valor total da biomassa é, hoje, certamente menor. Nas áreas desmatadas, o cruzamento dos dados do mapa com informações de desmatamento providas pelo sistema Prodes, do Inpe, permite calcular, com maior precisão, a perda de biomassa e a correspondente emissão de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera.

“Na verdade, nosso objetivo não foi criar um mapa estático, mas produzir uma série histórica. Refazer o mapa em um ou dois anos nos permitirá saber se está ocorrendo perda ou ganho de biomassa”, comenta Ometto.

Neste momento, em que há fortes alertas de que a Amazônia pode estar chegando perto de um ponto de não retorno, deixando de ser um sumidouro para se tornar um emissor de carbono para a atmosfera, e com o risco de sua biomassa se degradar em outro tipo de estrutura florestal, o mapa fornece informações críticas para a tomada de decisões relativas ao planejamento, conservação e manejo sustentável.

Adicionalmente, a pesquisa possibilitou algumas descobertas muito interessantes, como a de geoglifos pré-colombianos, que atestam o povoamento relativamente denso da Amazônia no passado, ou a da árvore mais alta da floresta, um majestoso angelim vermelho de 88,5 metros de altura.

O estudo A biomass map of the Brazilian Amazon from multisource remote sensing, que também recebeu financiamento do Fundo Amazônia, pode ser acessado em: www.nature.com/articles/s41597-023-02575-4.

Bronzeamento Letal: Doença Bacteriana Ameaça Palmeiras nos EUA e Pode Chegar ao Brasil em Breve

Imagem meramente ilustrativa. Credito:Imagem de Tom por Pixabay

Julia Moióli | Agência FAPESP – Uma doença bacteriana conhecida como bronzeamento letal vem devastando cerca de 20 espécies de palmeiras no sul dos Estados Unidos nas últimas duas décadas. O fitopatógeno já está presente em países do Caribe e, em breve, poderá chegar ao Brasil.

Estudo conduzido pela bolsista de pós-doutorado da FAPESP Jordana Alves Ferreira mostrou que as plantas infectadas liberam altas concentrações de compostos voláteis capazes de alertar palmeiras saudáveis ao seu redor sobre uma possível ameaça. Esses gases, descritos pela primeira vez na revista científica Plants, poderão ser usados na fabricação de insumos para tratar a infecção.

Causado pelo fitoplasma Candidatus Phytoplasma aculeata e espalhado para a planta pelo inseto-vetor Haplaxius crudus durante sua alimentação, o bronzeamento letal causa o escurecimento das folhas, apodrecimento e morte da palmeira devido ao entupimento do fluxo do floema (tecido pelo qual a seiva é transportada). O processo é seguido pela queda da copa da palmeira Sabal palmetto, nativa da Flórida. Além de ser responsável por perdas econômicas significativas para empresas paisagísticas e de viveiros, também reduz a proteção que essas plantas oferecem contra enchentes por meio da evapotranspiração da água das chuvas.

No caso do Brasil, estima-se que os danos seriam significativos: o país possui cerca de 280 mil hectares cultivados com coqueiro e produz 2 bilhões de frutos por ano para alimentação, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A pesquisa desenvolvida por Ferreira na Embrapa Meio Ambiente teve o objetivo de buscar opções de tratamento para as palmeiras infectadas. Em trabalho anterior, conduzido na Universidade da Flórida, em Davie (Estados Unidos), com apoio de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), a pesquisadora testou a aplicação de tratamentos com bioformulações diretamente dentro das plantas (técnica conhecida como endoterapia vegetal) usando um equipamento endoterápico pressurizado específico para palmeiras e desenvolvido no Brasil. Testes prévios, cujos resultados foram publicados na revista Analytical Methods, já haviam mostrado a capacidade da técnica de controlar lagartas de coqueiro, que causam prejuízo entre produtores nacionais, de forma rápida e com menos produtos.

No estudo mais recente, a bolsista desenvolveu um método de análise que envolve a técnica de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS, na sigla em inglês) e mostrou que as folhas das palmeiras infectadas liberam altas concentrações de biomarcadores voláteis (os compostos hexanal e E-2-hexenal) que avisam as plantas próximas sobre uma possível ameaça. Essas, por sua vez, passaram a liberar outros tipos de marcadores (3-hexenal e Z-3-hexen-1-ol), sabidamente emitidos por plantas sob estresse, caracterizando uma comunicação entre as plantas pelos voláteis. Já as palmeiras não infectadas ou ameaçadas não liberam os biomarcadores.

“A substância produzida pela própria planta na tentativa de se curar, defender e de alertar as demais é também um poderoso antibiótico, que pode ser utilizado no desenvolvimento de novas bioformulações para tratar as palmeiras usando a endoterapia vegetal”, afirma Ferreira, que publicou recentemente um artigo de revisão sobre a técnica na revista Agriculture.

Solução natural e de amplo uso

Apesar de estudos adicionais ainda serem necessários para detalhar a produção dos compostos voláteis, a descoberta abre caminho para uma série de possibilidades de tratamentos para plantas na agricultura. Exemplos são a avaliação de compostos que podem ser utilizados no tratamento de infecções, criação de estímulos para que as plantas gerem suas próprias defesas, desenvolvimento de impedimentos alimentares e atrativos para inimigos naturais de H. crudus.

Nos Estados Unidos, especificamente, a grande vantagem seria ter à mão uma substância natural alternativa ao antibiótico sintético tradicionalmente utilizado – a oxitetraciclina, não usada no Brasil –, capaz de causar problemas ambientais como a resistência que gera.

“É importante destacar ainda que tanto os voláteis descobertos quanto a endoterapia podem ser alternativas a serem testadas no tratamento de doença em outras plantas perenes”, completa Sônia Cláudia do Nascimento de Queiroz, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e supervisora do estudo.

O artigo Identification of Green-Leaf Volatiles Released from Cabbage Palms (Sabal palmetto) Infected with the Lethal Bronzing Phytoplasma pode ser lido em: www.mdpi.com/2223-7747/12/11/2164. 

Podemos alimentar o discurso de ódio sem perceber

*Por João Pedro Favaretto Salvador

As redes sociais se tornam convenientes para quem produz falas discriminatórias e intolerantes porque elas conseguem interpretar o comportamento dos usuários, recomendando automaticamente conteúdos alinhados com os interesses deles. As redes criam, portanto, uma audiência para oradores de discursos de ódio que normalmente teriam pouco alcance.

Ocorre que, também por essa razão, as mesmas ações que contribuem para a propagação de um vídeo, foto ou meme, como as curtidas e compartilhamentos, colaboram para disseminar essas mensagens problemáticas. Entender isso é importante evitarmos propagar o discurso que queremos combater.

Explico: por causa de como as plataformas funcionam, quanto mais interagirmos com a postagem problemática, maior será audiência atingida por ela e mais perigosa esta mensagem será. Isso acontece mesmo quando compartilhamos uma manifestação de ódio como forma de denúncia ou publicamos um comentário criticando o conteúdo.

Os algoritmos da plataforma que escolhem o conteúdo a ser propagado nem sempre são capazes de identificar nossas ações como desagrado ou apoio. Para esses “robôs”, o entendimento é de que o assunto está “bombando” e deve ser impulsionado.

Infelizmente, mesmo com boas intenções e sem perceber, podemos acabar ajudando a disseminar posts que depreciam pessoas por sua etnia, gênero, orientação sexual ou outro marcador social. Isso é profundamente perigoso, pois quanto mais pessoas são alcançadas e têm suas opiniões formadas por discursos de ódio, mais provável se torna que algumas delas pratiquem atos concretos de discriminação e violência contra minorias sociais e grupos vulneráveis.

Infelizmente, não há muito o que se possa fazer, individualmente, para impedir o alastramento do discurso de ódio nas redes. Na prática, quando vemos uma publicação problemática, o melhor que podemos fazer é denunciar a publicação à plataforma e esperar por uma decisão de removê-la.

Isso porque o poder de regulação dessas manifestações está quase todo na mão das grandes empresas de tecnologia. Remover publicações, controlar o fluxo de comunicação e mudar o direcionamento dos algoritmos, de forma que discursos de ódio não sejam tratados da mesma forma que publicações informativas, divertidas e interessantes, cabe às empresas.

Como sociedade organizada, temos mais poder. Podemos pedir por uma regulação que dê orientações e incentivos claros para o combate à disseminação de discursos de ódio de forma organizada e cuidadosa pelas plataformas. Não queremos que saiam censurando tudo que é publicado, mas deve haver, sim, um esforço para fazer com que o conteúdo problemático seja tratado de forma diferente do conteúdo positivo pelos sistemas de recomendação desses espaços virtuais.

A questão fundamental é que o combate a disseminação do discurso de ódio nas redes sociais não é uma missão que pode ser cumprida individualmente. Ela exige organização, colaboração e, acima de tudo, estratégia. Temos que tomar cuidado para não impulsionar o conteúdo que queremos combater.

Surfista Ítalo Ferreira protagoniza foto inédita durante eclipse do Sol

Italo Ferreira is seen during the sun eclipse in Baia Formosa, Brazil on October 14, 2023 // Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool // SI202310140375 // Usage for editorial use only //

Medalhista de ouro foi clicado no Rio Grande do Norte, no sábado (14) por Marcelo Maragni; a dupla detalha preparação para cravar o feito em cinco segundos

O brasileiro que conquistou a primeira medalha de ouro olímpica do surfe, e também campeão mundial, agora tem mais um feito exclusivo em sua carreira. No último sábado (14), Ítalo Ferreira desafiou as forças naturais do planeta para capturar uma foto inédita durante o raríssimo eclipse anular do Sol, causando o impressionante efeito de estar dentro de um ‘arco de fogo’. Esse fenômeno se explica porque a Lua está no ponto mais distante de sua órbita da Terra, assim, seu diâmetro aparente é menor do que o do Sol, possibilitando a aparição do anel. O registro aconteceu no Rio Grande do Norte pelo fotógrafo Marcelo Maragni, que precisou de estudos científicos e equipamentos especializados para alcançar a foto perfeita, além de contar com a sorte de o estado do Rio Grande do Norte ser um dos melhores locais no país para presenciar este fenômeno.

Técnicas de fotografia e engenharia, posicionamento e agilidade para realizar a foto em segundos foram fundamentais para garantir o resultado artístico memorável. Enquanto a posição do surfista precisava estar alinhada com o rápido momento em que a Lua se posicionava milimetricamente entre a Terra e o Sol; o fotógrafo, há aproximadamente 1 km de distância do surfista, teve de usar, além de sua câmera, rádios para comunicação, dois celulares, óculos de proteção e espelhos para conseguir fixar os olhos contra a luz do Sol e evitar o efeito sombra na imagem do atleta.

Italo Ferreira is seen during the sun eclipse in Baia Formosa, Brazil on October 14, 2023 // Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool // SI202310140372 // Usage for editorial use only //

Italo Ferreira is seen during the sun eclipse in Baia Formosa, Brazil on October 14, 2023 // Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool // SI202310140374 // Usage for editorial use only //

“Esse foi um projeto mais que especial para mim, fiquei muito feliz de aqui no Rio Grande do Norte a gente ter a melhor visão do eclipse e de ter sido abençoado com essa foto que a gente vem trabalhando há meses para que ficasse perfeita. Hoje quando saí de casa tinham muitas nuvens no céu e eu fiquei um pouco apreensivo, mas quando chegamos na pedra que seria o ponto perfeito calculado o tempo limpou. E quando começou o eclipse conseguimos fazer a foto que, na minha opinião, é provavelmente uma das melhores fotos que alguém já fez durante um eclipse. Estar vivendo esse momento é surreal e muito simbólico, principalmente porque representa um dos arcos olímpicos e me lembra o quão especial foram às Olimpíadas para mim” declarou o surfista.

A cena inédita foi eternizada após uma única tentativa e em cerca de 5 segundos. Durante esse curto período, Maragni ainda precisou ajustar sua posição para capturar o ângulo perfeito do anel de fogo. Já antes do grande dia, o fotógrafo testou diversas possibilidades para prever o imprevisível e conseguir registrar esse momento raro. Durante os ensaios e estudos, que começaram 4 meses antes, Maragni visitou mais de 20 picos e montanhas ao redor da praia para a checagem prévia do lugar ideal, além de diversos cálculos para o fotógrafo encontrar a angulação exata para posicionar o surfista.Para Marcelo Maragni foi um dos trabalhos mais desafiadores e complexos dos seus quase 25 anos de carreira:

“Esse foi uma das fotos mais complexas que já fiz, foram trabalhosas tentativas de encontrar um local com a angulação de azimute, que é um ângulo em relação ao Norte e com uma inclinação específica de altura. Também usei dois celulares para simular um teodolito, que é um equipamento de medição de relevo; coloquei um filtro de densidade neutra na lente para diminuir a luz que entraria na câmera e usei espelhos para refletir a luz do Sol e iluminar o atleta e evitar o efeito de silhueta na imagem do Ítalo que o pôr do Sol costuma causar”, explica o craque.O eclipse no Brasil começou a ser visto por volta das 15h do sábado, até o término do fenômeno, quando o Sol se puser no horizonte por volta das 18h.

Especificamente o ‘anel de fogo’ se formou por volta das 16h40, durando um curto período que tornou a fotografia tão rara quanto o fenômeno natural. O eclipse anular pôde ser visto do país somente pelos estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco, mas o privilégio ficou para o município litorâneo do Rio Grande Norte, onde o surfista cresceu, deixando agora mais um marco para a cidade onde vive. O projeto foi realizado com apoio das marcas Canon e Ford.

De quem é o direito das postagens? Entenda como funciona a propriedade intelectual no mundo digital

Imagem de 巻(Maki) por Pixabay

Vivemos em uma realidade cada vez mais virtual, e estamos conectados de todas as formas, seja na vida pessoal, no círculo de amizades e, principalmente, na rotina empresarial. Pode acreditar, em pouco tempo estaremos no metaverso.

Com isso, várias ferramentas são fundamentais para essa conexão em tempo real, tais como aparelhos eletrônicos, aplicativos, sites, contas digitais, assinaturas eletrônicas etc. No entanto, engana-se quem pensa que esses ambientes são “terra de ninguém”, e que conteúdos, marcas, imagens e outras obras podem ser usados indiscriminadamente.

“Esses novos formatos e canais de comunicação também criaram novas estruturas e elementos que estão revestidos de proteção da propriedade intelectual e devem ser observados, seja para serem levados a registros em favor da empresa desenvolvedora, seja para evitar que violem direitos de terceiros já protegidos anteriormente”, explica Rosa Maria Sborgia, Sócia da Bicudo & Sborgia Marcas e Patentes.

Assim, não pense que os famosos “cortar e colar” de conteúdos da internet para usar em sua rede social, no seu site ou no trabalho passarão impunes. As regras existem e podem pesar contra quem age de má-fé nesse ambiente virtual.

Rosa Sborgia reforça que, apesar da tradicional divulgação de que não há regras na internet, a legislação da propriedade industrial, o código civil, o código de processo civil e criminal e a lei de direitos autorais se mantêm vigentes e aplicáveis, tanto para a proteção dos próprios direitos quanto para a preservação de direitos de terceiros.

“Um caso muito comum é a cópia ou reprodução de sites. É importante ter em mente que um site é identificado pela sua marca, dotado de estrutura autoral, produzindo informações e girando dados, todos protegidos pela legislação da propriedade intelectual. É preciso, assim, uma reflexão sobre as ferramentas e os meios do mundo digital e a conexão com a legislação”, explica a sócia da Bicudo.

Todos os elementos no mundo digital são dotados de proteção pela via de direito autoral, ou seja, é possível afirmar que no mundo digital são criadas novas patentes a todo instante, que devem ser protegidas. Os exemplos são claros, sendo que a legislação brasileira permite a proteção de um algoritmo aplicado em um hardware. O software é passível de proteção como patente, desde que haja efeito técnico novo em um equipamento.

“A regulamentação da patente do software, por si só, já foi um desafio no campo da propriedade intelectual de muitos países, considerando-se os pressupostos de formação de uma patente de invenção ou de modelo de atividade, quais sejam: novidade, atividade inventiva ou ato inventivo e aplicação industrial. Identificá-los e revelá-los com exatidão em um relatório de patente não é uma tarefa fácil”, explica a sócia da Bicudo.

“Fato é que essa complexidade de engenharias, tecnologias, códigos fontes, algoritmos e elementos abstratos está desafiando os diferentes órgãos reguladores de propriedade intelectual nos mais diferentes países, como também os profissionais do direito para conseguirem materializar contratos que revistam diferentes partes e interesses”, avalia Rosa Sborgia.

Portanto, o empresário não pode perder de memória que todo o seu desenvolvimento tecnológico e virtual provoca reflexos no campo do direito da propriedade intelectual, seja exigindo os registros de tais ativos para a preservação da sua empresa, seja nos cuidados da empresa para evitar a violação de direitos de terceiros, os quais provoca obrigações de reparações financeiras significativas. Assim, a empresa digital urge pelos registros dos seus ativos tecnológicos.